quinta-feira, agosto 31, 2006



Espectros


Quem dera eu olhasse agora,
E visse num instante brilhar
A luz dos teus olhos,
Falando aos meus olhos
Sem sequer titubear.

Que o teu sorriso fosse franco,
Ao ponto em que, bastasse vê-lo.
Para poder te encontrar.
E que a verdade de tua existência
Transparecesse em teus lábios,
Sem que precisasses falar.

Que o teu coração estivesse ao alcance
De eu pegá-lo nas mãos,
E folheá-lo como a um livro,
Sorvendo cada palavra,
Traduzindo a tua emoção.

Que a vida não fosse um baile
Com todos a se divertir.
Vestidos conforme a ocasião,
Tendo como adereço as máscaras
Escondendo além das faces, a sua intenção.

Porém temo, de antemão,
Que ao tirar as máscaras,
Não existam os olhos, nem os lábios,
Nem sequer o coração.
E que eu descubra tristemente,
Que de tanto mascarar a alma,
Tenha restado ao mundo, apenas espectros de gente.

Léia Batista

sábado, agosto 26, 2006

Árvore Ribeirinha






Um dia, molhada de sol, permiti que meus olhos se nublassem de águas serenas, vindas do profundo do meu ser. Cascatas brilhantes mostravam ao mundo um caminho percorrido, entre rochas e granitos, espremidas em abissais traumas que, fechando-se em perspectiva, empurravam a água, cada vez mais forte, desobstruindo sentimentos antigos e sinceros. Hoje, embora a chuva caia lá fora, meus olhos se enchem de sol. Águas, antes revoltas, agora são apenas vislumbradas em plácidas ondas e ouvidas em sussurros, que enlevam a alma, enquanto a natureza segue seu curso e seu rumo.
Sou árvore riberinha, que se mantém firme, mesmo em meio a muitas tempestades e fúrias naturais e humanas. Minhas folhas são vibrantes. Minhas flores, perfumadas. As raízes, que cresceram aprendendo a se defender dos ventos fortes e das secas, são o apoio que me dá forças. Sou descanso e pousada. Sombra e beleza. Rastro e paisagem. Sou o futuro incerto, de felicidade certa. Sou sonho mesclado com realidade. Sou verdade, sentida e vivida em sua mais plena intensidade.
Sou gente... sou flor...
Sou árvore... sou amor!


by Miriam, vivenciando doces momentos.

terça-feira, agosto 22, 2006



Amante

De tantas palavras jogadas comigo ao vento
Confidencio em sussurros à minha alma
Exaurida estou em tentar
Mesmo assim ainda tento.
De que pecado tenho que me defender
Como um réu sem julgamento
A sentença foi proclamada
O ódio disseminado, a vida amputada
Perdidamente louca fui condenada
A ter que minha loucura encarcerar.
Meus olhos queimados de sal
Vêem o que o coração não consegue alcançar
A busca de mim mesma foi meu delito
A fuga dos padrões o agravante
Perpétua é minha pena
Por ter a vida como amante.

Léia Batista

domingo, agosto 20, 2006


Escultura


O meu coração te desejou
A minha mente leu o recado.
Passei então a te desenhar
Não dá forma que tu eras
Da que o meu coração tinha sonhado.

Te esculpi inteiro
Não o físico, este eu já conhecia.
Delineei o teu amor
E o dediquei só para mim.
Refiz os teus desejos, iguais aos meus.
Enfim...

Te recriei da minha maneira
Dentro do molde que em mim cabia.
Só não esperava jamais que, ao te encontrar finalmente,
Não eras tu quem eu conhecia.

Percebi então, num instante,
Que a minha mente havia me enganado.
Foi o fruto da minha imaginação, e não a ti,
Que eu tinha amado.

Léia Batista

Nada...






by Miriam num momento de "...Nada!"

sexta-feira, agosto 18, 2006

Minha inspiração, onde anda?


Estou sem inspiração. Meus olhos buscam imagens, minhas mãos dedilham letras por entre este teclado. Vejo que, a cada passo, encontro obstáculos impostos por atitudes pequenas e sem base lógica. Rememoro as andanças passadas, minha vida e meus amores. Volto à cena, sem medo e sem preconceito, abrindo meu peito e falando minhas verdades.
Ontem era dor... hoje é força.
Ontem era medo... hoje é coragem.
Ontem era cuidado em não melindrar pessoas... hoje é audácia de sentir-me bem com minhas emoções.
Ontem era mágoa... hoje sou paz e perdão.
Ontem era saudade... hoje é passado.
Ontem eram lágrimas... hoje distribuo sorrisos.
Ontem era perda... hoje é ganho.
Ontem era derrota... hoje é vitória.
Ontem era verdade e sinceridade... hoje, também!

by Miriam, em busca de inspiração.


Metamorfose

Seda me reveste, em fios.
Emaranhado a proteger-me
Do sol
Da chuva
Do céu que não vejo
Do frio.
Casulo escuro, mas quente!
Envolve-me
Confunde-me
Sem perigo iminente.
Não grito, escuto
Não corro, repouso
O que ouço, silencio
Sem desespero, espero.
Que a metamorfose aconteça.
Rompendo-se num lampejo
A lagarta desapareça
Arriscando-me aos céus, me vejo.
Voando livre, borboleta.

Leia Batista

quinta-feira, agosto 17, 2006

Um meio para a proteção de todos.

Em virtude de comentários anônimos feitos aqui, em Inglês, que direcionam para links obscuros, eu habilitei a confirmação por letras, para que, num tempo pequeno, possamos vencer estes obstáculos próprios da net.
Conto com a colaboração de todos os que aqui, tão gentilmente, postam seus comentários.
Beijos
Miriam

quarta-feira, agosto 16, 2006



Andarilho

Cheguei até aqui
Porque o vento me trouxe
A brisa impeliu
A chuva forçou
A noite acenou.
Eu vim
Por todos os motivos
Por falta dos mesmos
Aqui estou.
Dou-me o direito, no entanto,
De quedar-me ao meu cansaço
Dar uma trégua na andança
Parar um pouco nesta hora
Alguns minutos, segundos talvez
Dou-me o direito agora.
De olhar para trás, o caminho vencido
Pois nele não mais andarei
Na minha frente uma encruzilhada
Para onde vou, ainda não sei.
Do descuido do uso
Encontro a bússola despedaçada.
Sem direção eu paro
E peço licença
Na rua da minha vida
Vou me assentar na calçada.

Léia Batista

quinta-feira, agosto 10, 2006




Perfil

Não me pergunte quem sou.
Sou o que você não vê.
Não tente entender o que nem eu consigo saber
Defino-me assim indefinida.
Meio mulher, um tanto criança, um pouco velha
Cheia de esperança.
Não estou pronta, vivo inacabada
Não sou inteira, sou partes encaixadas.
Não me sacio, insatisfeita eu vivo
Me escrevo e reescrevo, não quero o meu final,
Estou na metade do capítulo.
Não sou um poema somente, sou um livro.
Sou paixão personificada, amor em minha essência
Sou saudade do que não tenho
Lembrança do que já tive
Ausência.
Não sou santa, eu não nego
Um tanto louca, me confesso.
Tenho medo e sou valente
As vezes caio, outras só escorrego
Não me tente, eu me entrego.
Sou parte do mar, muito do céu, meus pés vivem no chão
Mas o meu coração vive ao léu.

Léia Batista




quarta-feira, agosto 09, 2006

O espaço e o tempo

O tempo perguntou ao espaço, porque o espaço o impedia de ser "Presente". O espaço retrucou ao tempo que o próprio tempo é que o deixava com uma aparência maior do que era. E, assim, ficaram a discutir, interminavelmente, por anos, séculos, quilômetros, milhas...
E eu aqui, a esperar que eles cheguem à conclusão final, para que eu mesma possa entender, o porquê de tanta saudade!

by Miriam, na espera da solução...

terça-feira, agosto 08, 2006

Uma nova participante

Hoje estou recebendo, de braços abertos e com um sorriso de felicidade, a nova integrante do Blog Tratos e Poesias: Léia.
Bem-Vinda, Léia. Nosso Blog só tem a ganhar com esta participação. Ficamos felizes de podermos compartilhar as inúmeras maravilhas que, por ti, são escritas. Estamos sedentos de criações de peso.

by Miriam, numa nova fase do Blog.

sexta-feira, agosto 04, 2006

Retorno dobrado

Oi, amigos!
Devo dizer que estou retornando. E, além disso, em dose dupla. Minha prima vai escrever aqui, também. Estamos esperando mais uma pessoa. E, garanto a vocês, as duas tem talento suficiente.
Breve saberemos se teremos a nova participante.
Beijos e abraços

by Miriam, feliz da vida!!!!!!!!!!!!!!!!!

Saudades

Oi! Estou com saudades daqui. Muitas. E, então, resolvi dar uma passadinha para falar de uma figura incrível. Há muito tempo eu conheci um homem que me deixou apaixonada. Mais ou menos uns 9 anos. Ele, maravilhoso, único, esplêndido, amoroso, carinhoso, me ama acima de tudo. Nunca me deixou passar falta de nada. Sempre tudo providencía. Estou a toda hora sentindo a Sua presença comigo, esteja cantando para Ele ou só falando baixinho.
Uma vez, por me amar muito, Ele me pediu para cantar. Inspirava as músicas, e cada vez que eu cantava, as pessoas me diziam que minha voz era suave, terna e incrívelmente bonita. Mas que nada... nunca tive a voz bonita. Era a inspiração que me deixava assim. E eu comecei a me aproximar cada vez mais dEle, e querer cada vez mais sentir o quanto Ele me amava. Nunca me exigiu nada. Nunca me criticou, nunca disse que o que eu pensava era errado, nunca falou-me que se eu não fizesse o que Ele queria, eu sofreria, ou que seria punida. NUNCA... Nunca mesmo. Porque Ele sempre, por me amar demais, me entendeu. Entendeu meu peito, meu sofrimento, meus amores, minhas dores, meu cansaço, minhas caminhadas erradas... minhas dores de cabeça. E, em tudo, foi o alívio, foi o porto seguro, a certeza do abraço amigo, o abraço que compreende, entende, dá força, apoia, estimula e AMA, acima de tudo.
Hoje, fui cantar para este amigo. Para este homem. Ele havia me pedido com antecedência, mas os ensaios não se proporcionaram. Não cantava sozinha. E, nossos outros amigos, não conseguiram tempo para nos juntarmos e ensaiarmos. Mas... quando cheguei perto dEle , só pedi, olhando bem dentro de Seus olhos, que Ele me ajudasse, me desse a qualidade que Ele merecia, naquela ocasião tão solene. Pois... eis que os presentes se encantaram. A suavidade era a marca do nosso grupo. E a inspiração fez o seu papel.
Hoje, então, como agradecimento por tamanha ajuda, quero dizer a vocês, que eu tenho um grande e amoroso amigo. Que ama a mim e a vocês, também. Que pede a vocês que apenas abram o coração e se permitam conhecê-Lo. Ele nada exigirá de vocês, apenas que deixem Ele entrar. Ele não punirá. Não recriminará. Estará sempre pronto a recebê-los e a amá-los. Vocês querem ser amigos dEle, também? Vou passar o endereço:
Rua do Coração de vocês, número 777, na cidade das portas abertas e do Amor pulsante.
Adentrem nesta rua, com os olhos fechados e deixem a rua livre, aberta. E chamem pelo Seu Nome. JESUS!

by Miriam, querendo que os corações se abram para ELE.