sábado, setembro 23, 2006

O caminho da LUZ

Nilson!
Fico feliz que venhas aqui e queiras nos ler. É um privilégio, saber-te nosso leitor assíduo. Estou com muitas aulas, trabalhos e afazeres, dos mais variados, a me tomar todo o tempo. Sei que escrever é muito bom. Mas, quando o tempo me sobra.
De qualquer forma, eis uma colocação de visão de vida, para ti e para todos que aqui chegam.

Andei pelas estradas enluaradas da minha terra. Cansei-me de olhar ao lado, procurando abrigo. Na paisagem, apenas as sombras das árvores e arbustos e o ruído da selva, que me rodeava. Meus passos , ora trôpegos, ora lépidos, eram o símbolo exato daquilo que estava vivendo e presenciando.
Na estrada, a poeira do dia quente deixava o seu odor característico. A mudança brusca de temperatura iniciava-se... e uma neblina, fria e úmida, começava a se formar. Eu não pensava onde estava, nem para onde me encaminhava. Apenas andava... andava...
A busca não poderia parar... porque a vida ainda existia... e viver é buscar. Viver é estar sempre caminhando, seja dia, ou seja noite....
Caminhando à procura da sabedoria... mas da verdadeira sabedoria.
Não sei de que forma, ou quando... mas, de repente, percebi que a minha caminhada não me levaria a lugar nenhum, se eu não olhasse a Lua. Se eu não percebesse e entendesse, de onde vinha a LUZ que iluminava meu caminhar...
Paro, subitamente! O entendimento me havia acenado com sua presença... Viro-me, devagar, para não me surpreender com a lógica recém assimilada... E, levantando a cabeça em direção ao céu, onde as nuvens davam a impressão de profundidade, encaro a LUA. E ali fico... acompanhando sua trajetória no horizonte.
Ela era linda!!!!!!!!!!! Lua cheia... a lua dos namorados... a lua que nos dá a sensação de poesia a cada raio que nos chega...
E lá se ía... indo... indo...indo... e caiu atrás dos montes...
Assustei-me... será que minha grande descoberta teria sido temporária???? Mas, minha sensibilidade acentuada fez-me voltar os olhos e, lá, no outro lado, vejo uma luz mais intensa... Uma Luz que formava cores variadas... pintava o céu com matizes de vida e de amor... e se aproximava cada vez mais... e mais... e mais...
Eis que o SOL começou despontar, entre as cores e os brilhos da aurora... Vi, neste exato instante, que minha caminhada havia chegado ao fim. Que havia descoberto o abrigo, o calor e a origem da sabedoria. Que a LUZ era tudo o que eu precisava para começar a entender o sentido das coisas, da vida, do mundo, dos amores, do tempo, da caminhada, das múltiplas estradas.
O calor foi, pouco a pouco, tirando a sensação de umidade, que se formara durante a longa noite de busca.
E, aquecida, tornei-me capaz de aquecer. E, sabendo-me amada, fui capaz de amar.
Que entendam-me aqueles que já vivenciaram esta caminhada. E aqueles que não a vivenciaram, ainda, procurem a sua estrada enluarada... e caminhem... caminhem numa noite de lua cheia. Numa noite onde a neblina nos faz tremer de frio... mas a luz que descobrimos, logo a seguir, nos aquece e nos transforma.
Vale a caminhada!

by Miriam, atendendo a um pedido de Nilson Barcelli

sexta-feira, setembro 15, 2006

A força do amor!



Olhas-me...
e me sinto em paz com o mundo.
Tocas-me...
e viajo pelas estradas das metáforas.
Envolves-me...
e busco,na consonância, a hora certa das palavras...


Seduzes-me
e eu, plena de fraqueza,
entrego-me sem medo...
Na certeza de que, na fragilidade,
se esconde a força do amor!



quinta-feira, setembro 14, 2006



O Ato

Estes olhos que descortinam o mundo
Trazem à cena os mais distintos atos
Eu na platéia inerte.
Sorrio e aplaudo, em momentos,
Noutros comovo-me aos prantos
No meu discernimento parco.

O contraste da beleza que arquiteta a vida
Põe-se assim tão dissonante
Quando a fome e a miséria gritam em tom urgente:
Saciem o meu corpo, que a minha alma é perene,
E a dor só é sentida
Quando em nós se faz presente.

No embate dos meus dias em que busco a aclaração.
Vejo a falta do que me sobra
Sinto a dor que não é minha
Grito então em desatino ao meu ser abastado:
Por quê?
Num mundo tão desigual sou espectador privilegiado

Levanta-te! Vem a resposta altiva.
O muito que foi dado, não foi um presente em vão,
Suba agora no palco da vida e atue.
Faça feliz aos tristes e amenize a dor dos abandonados.
Pois se ao nascer foste agraciado, então rico serás!
Porém ao perecer estarás pobre se a ti não tiver doado.

Léia Batista

sexta-feira, setembro 08, 2006

CONVITE
Entre sem bater
Espie na luz dos meus olhos
No recôndito do meu ser adentre
Mergulhe!
Encontre a minha alma, estenda-lhe a mão.
Passeie com ela
Viaje!

Abra o mapa, verás meu coração.
Chegue perto e pulse com ele
Acompanhe o seu ritmo
Dance!
Não precisa bater, entre!


Descubra os sentimentos e converse com eles.
Sinta!
Ao seguir, olhe apenas...
Irás entender
Que a alma vagueia
No coração descansa, bebe, se alimenta.
Abastecida parte à nova mente
Entenda!



Sou abrigo da alma
Porto de um coração
Guarida dos sentimentos.
Regido pela mente.
Perceba!


O que vês é só pintura.
Os verdadeiros moradores estão lá dentro.
Se os quiseres conhecer
Volte sempre!
Entre!

Não precisa bater.
Léia Batista

terça-feira, setembro 05, 2006

Enigma



Permito-me utilizar a imagem do maravilhoso Morro dos Conventos para ilustrar a minha poesia. Um paraíso feito de mar, rio, lagoas, dunas, mata atlântica e fica bem aqui na minha cidade.
A certeza de que um grande arquiteto por aqui passou, deixando eternizada a sua arte.
Léia- Araranguá SC

Enigma


VOCÊ É A PARTE QUE ME FALTA

EU SOU A PEÇA QUE LHE COMPLETA

VOCÊ É A DEFINIÇÃO DA MINHA IMAGEM

EU SOU A CONTINUAÇÃO DO SEU PEDAÇO

VOCÊ É A FORMA QUE EM MIM SE ADAPTA

EU SOU O MOLDE EM QUE VOCÊ SE ENCAIXA.

SEM VOCÊ SOU IMPERFEITA

VOCÊ SEM MIM FICA PERDIDO

E SIGO ASSIM INACABADA

VOCÊ CONTINUA DESFEITO

PEÇAS SOLTAS SEM SENTIDO

PROCURANDO EM VÃO FORMAR A IMAGEM

DO DESEJO REPRIMIDO.


Léia Batista

domingo, setembro 03, 2006

Para uma querida amiga!

"Duas árvores não podem ser plantadas muito próximas... Porque, se assim o for, uma faz sombra para a outra e ambas, enfraquecidas, não conseguem se desenvolver".

Não sei onde li o que escrevi acima, nem sei como é que, na verdade, são colcadas as palavras no ditado. Mas, lindo é o sentido.

"Era uma vez duas árvores... foram plantadas próximas... mas, com o vento e as tempestades, aproximaram-se cada vez mais. O sol batia, mas a sombra de cada uma não permitia o crescimento da outra. E o que antes era visto com deslumbramento, passou a ser visto como perigo à sua integridade..."

Assim somos nós... Creio que não nos sentiremos bem, se não pudermos vivenciar momentos somente nossos. A solidão é, por vezes, o melhor remédio e a mais potente vitamina para a nossa vida.
Momentos a sós conosco e com o que gostamos de fazer, sem que, por isto, nos sintamos culpados, é uma das melhores formas de adquirirmos forças para seguir a batalha do dia-a-dia. Quando nos falta o sol, porque as sombras são constantes, perdemos o rumo e o prumo - não conseguimos reabastecer-nos de energias suficientes... nossos pensamentos ficam embotados, nossas palavras trancadas, nossa inspiração some... E nossas atitudes, em compasso de espera.
As flores não nascem. Os frutos deixam de existir. Porque, por não podermos "ser", não conseguimos "doar".
O nosso "ser para o outro" é diretamente proporcional à nossa vivência do "ser para nós mesmos". Não podemos amar, se não conseguimos tempo para "sermos e amarmos a quem somos". Não podemos "doar" se não tivermos tempo para "suprirmos nossas necessidades individuais". Há um peso exato para cada coisa. E uma não sobrevive, muito tempo, sem a outra. Não sobrevivemos sozinhos. Mas também não sobrevivemos sem a nossa individualidade.
Nossos problemas existem... precisamos olhar de frente para eles e estudarmos as consequências dos nossos atos. Precisamos olhar pra dentro de nós e para as pessoas que nos rodeiam, sempre buscando a conciliação do melhor passo a darmos.
Há um tempo para que tudo se amolde e consigamos superar os obstáculos - sejam eles quais forem. As soluções passam, impreterivelmente, pela dor, pelo sacrifício. Porque as experiências dolorosas também fazem parte da bagagem de vida. Nunca seremos completamente felizes. Sempre haverá aquilo que machuca, que dói - o problema que, no momento, nos parece tirar as forças. Mas, se temos fé, adquirimos a nobreza da persistência e do discernimento, na busca pelo crescimento e pela escolha do melhor caminho.
E digo-te:
- A vitória está em superarmos as tribulações com honra, verdade e integridade. Visando um caminho de paz, onde o sofrimento passado será visto, no futuro, como uma forma, pela qual, ficamos enriquecidos em experiências e fortalecidos como pessoas.

by Miriam, com um beijinho para esta amiga querida.