quinta-feira, novembro 30, 2006

O "sempre" da vida!

Existia uma estrada... e lá estava eu, a olhar para a paisagem. Nela, as pedrinhas se misturavam com a poeira da terra amarela. As árvores, que estavam à beira do caminho, semeavam sombra nos corações ressequidos pela sede do amor. Uma fonte de águas puras sussurrava pelos leitos pedregosos de uma correnteza infinda. Por ouví-la, adentrei em busca do alento.
Pássaros sobrevoavam minha cabeça... numa algazarra digna da felicidade de quem vive a liberdade de voar... voar pelos céus da vida, alcançando destinos sonhados. Seus piados e chilreares, de tão alegres, faziam-me sorrir. Sim. Estava vivenciando a natureza em sua forma mais pura. Os odores das plantas me faziam inalar, profundamente, em busca de um perfume que nenhuma química poderia imitar. Meus olhos percorriam cada cantinho, seguindo os movimentos leves das folhas , causados pela brisa, que as beijava a cada instante. As árvores estavam me acolhendo e pedindo que ali ficasse.
A estrada não era mais importante. O que eu mais queria, ali, naquele momento, era adormecer e não mais acordar... Porque a imensa sensação de descanso e paz me deixava relaxada e imersa no todo.
Um movimento brusco, nas folhagens mais baixas, chama a minha atenção. Olho discretamente...eu nada temeria naquele lugar... Meu sorriso se fez, logo, presente... Uma lebrinha, com seu pelo mestiço, olhava-me entre assustada e curiosa. Com um raminho de plantas em sua boca, não se movia... mas a degustação era mais importante que a minha presença.. movimentos suaves a fizeram digerir aqueles raminhos, que tanto buscara, com certeza. Seus olhinhos continuavam a me olhar... e tivemos uma conversa que somente a natureza entende. Os pássaros começaram a cantar cada vez mais.... a sombra refrescara meu calor pelo sol escaldante.Agradeci aos bichanos pela companhia e louvei à Deus pela criação.
Ali faltava alguém. Alguém que tivesse o mesmo amor pelo belo. Alguém que sentisse a natureza como parte de si. Sentei-me numa pedra e pude entender meu sentimento. O homem não nasceu para ser sozinho. Ele nasceu para "viver com"... e "viver para". A sociedade estabelecida pelos humanos, em nada tem parecência com a sociedade para a qual ele foi criado.
Eu ali estava, acompanhada pela natureza, acarinhada por ela. Mas tinha que cumprir minha missão. E encontrava mais um esclarecimento de qual seria meu próximo passo.
Descansada, fui à fonte e saciei minha sede. A água fria , ao bater em meu rosto, deu-me novas forças. Molhei meus cabelos, meus pulsos... e despedi-me daquela paisagem linda. Era hora de partir...
Levantei-me, calmamente... Meus amigos ainda estavam ali, a compartilhar comigo meus últimos instantes de descanso. Despedi-me com um sorriso e uma prece. E iniciei minha volta à estrada.Ela era necessária.
Eu precisava caminhar... mais... e mais... Até quando?
Para sempre... no sempre da vida.

by Miriam

terça-feira, novembro 14, 2006

A espiritualidade humana

Definitivamente, esta semana é a semana ímpar da minha vida. Já tinha falado nisto. Por incrível que pareça, as particularidades não param de acontecer.
Não sei se todos que me lêem tem a noção, ou acreditam, no que eu vou falar. Mas, quando JESUS começa a dar libertação, derramar graças, nada pode detê-Lo. A não ser a nossa falta de fé e a nossa negação em aceitá-Lo.
Pois, mais um dia ímpar - e que distinção de dia!
Hoje, fui chamada para assumir uma vaga em uma firma. Esta colocação veio numa época extremamente necessária. Esta graça me coloca na certeza de que os acontecimentos estão se sucedendo, com uma rapidez espantosa...
Pois... nada do que passamos é em vão. E o meu tempo no deserto estava nas mãos de Deus. Isto é... Meu tempo está nas mãos de Deus. Minha vida está nas mãos de Deus.
Como as particularidades aconteceram desta forma, vou ter que me reservar ao direito de falar que, por motivos antes não previstos, não posso mais garantir uma explicação existencial dos fatos diários vivenciados.
Glorifico a Deus esta razão. Glorifico a Deus por poder estar cancelando meu trato virtual.
Mas, hoje, vou analisar a espiritualidade humana. O ser humano caracteriza-se por uma onipotência sem par. Por ele tudo é feito, nele tudo está. Eu vou... Eu sou.. Eu faço. São palavras de "positivismo". Tudo posso desde que pense assim. Esquece-se ele que, de forma nenhuma, ele "tudo pode", se assim o pensar. Porque somos um sopro de vida.
- Estamos vivendo e, de repente, nada mais existe. Passou-se o nosso tempo.
É necessário ao homem, a humildade de saber-se imperfeito e saber-se dependente Daquele que o criou. Porque em Deus está a sustentação do Universo.
Porque é tão difícil nos darmos conta de que, sozinhos, nada somos? De que o sopro de Deus está em nós e por ELE somos comandados e guiados, desde que O aceitemos? Desde quando, oh homem, podes dizer que "amanhã irei a tal cidade" ( esta é uma passagem bíblica). Desde quando, oh homem, podes fazer planos e garantir a sua realização? Desde quando, oh homem, podes galgar montes, buscar poder e justiça se não te for dada do Alto?
Se não te for permitida, por alguma razão incomprensível para os nossos olhos.
Nosso entendimento do Superior é falho. Porque imperfeitos somos.
Então, busquemos ser humildes. Vamos distribuir amor e caridade. Vamos esquecer que fomos feridos pelo mundo. Vamos tentar melhorar o que vemos errado. E não atirar pedras... porque, assim, estaremos usando a arma que tanto criticamos.
No Blog de uma outra amiga, muita agressão. Agressão aos projetos de ajuda humanitária. Agressão à sua capacidade imensa. Agressão à sua pessoa. No Blog daquele amigo, agressão. Agressão pura e simples... porque voltada para uma imagem de pedra e para a interpretação de uma profissional capacitada. Na vida, agressão. Na política, agressão. Nas comunidades, agressão. Na famíla, agressão. Nos amores, nas amizades, agressão.
Até quando, oh homem, irás tratar o ambiente, que recebeste de presente, com agressão?
Teus atos tem volta. Nenhuma ação fica sem reação.
Aos que tratam o mundo com amor, deixo meus abraços, beijos e minhas orações.
Aos que tratam o mundo com agressão, deixo meu lamento... e minhas orações.

by Miriam, em mais um dia ímpar.

A reflexão de hoje.


Bem que, pelo horário que estou a escrever, vê-se a que horas parei de trabalhar. São 00:20 horas do dia 14 de novembro. Minha nossa! Estou cansadíssima, com dor de cabeça de tanto fixar os olhos nas imagens a serem trabalhadas. Mas... falei que tentaría analisar cada dia, com uma visão existencialista.
Hoje, novamente, meu dia foi ímpar. Percebi-me tendo que fazer esforço, em virtude da idade. Iniciei minhas caminhadas. Há muito tempo falava que começaria. Mas sempre aqui, a estudar e trabalhar. E a esquecer que nem só de trabalho e estudo vivemos.
Hoje eu descobri que havia esquecido de mim. Havia esquecido que tenho que "ser", tenho que "viver". E que, para isto, preciso gostar de mim e me aceitar como imperfeita e sujeita às intempéries da idade.
Mas... vamos olhar ao redor. Quem pensa em "ser"? Quem pensa em vivenciar a vida como emoção? Como um caminho que, sem volta, não permite que vacilemos e que esqueçamos de "sentir" mais do que "adquirir"? (Seja o que for... conhecimentos, poder, fama, dinheiro...)
Normalmente, este assunto ultrapassa o limite da nossa paciência. É um assunto corriqueiro. Todos falam. Lemos em qualquer canto. Há filosofias, das mais variadas, a serem distribuidas em arquivos "pps", em mensagens de e-mails , revistas, "Cursos de pensamentos positivos", Cursos de Conhecimento Interior" - e outras balelas a mais, que nem caberiam aqui.
Pois... eu voltei ao assunto. Há que se explicar o porquê. Lá vamos, então. O ser humano está doente. Está cego e não consegue ver que tem que se amar. Mas não pelas revistas de moda e pelo corte de cabelo atual. Tem que se amar porque é participante da natureza divina. Porque seu caminho tem um foco, que não o poder, o reconhecimento público, nem o locupletamento com benesses materiais.
A consequência está aí: danosa! Mundo em desafino; natureza querendo virar quadro - "Natureza Morta"; Eu, esquecendo que os anos se foram e que eu tenho que me cuidar; Você, talvez, em algum ponto se esquecendo que, hoje, alguém o olhou e você não teve tempo para conversar; Ou não teve tempo para deixar um comentário aqui, dizendo:
-Fala outro assunto, Miriam. Neste não existe mais novidades.
E porque me dei de conta disto, também, despeço-me. Pode ser que no post que irei deixar à noite do dia 14-11, eu tenha mais criatividade.

opss! by Miriam, sem criatividade- Deve ser o cansaço!

domingo, novembro 12, 2006

Um momento ímpar!

Devo admitir. Estou vivenciando um momento impar em minha vida. Não, exatamente, como momento no qual tudo está bem, somente sorrisos e festas. Talvez um pouco de cada coisa. Mas, sem dúvida, a cada dia, uma surpresa. A cada dia, um novo fato e uma nova constatação.
Momentos assim são raros. Porque as coisas tendem a andar de uma forma natural... e não é o que está acontecendo, atualmente.
Baseada nestes fatos, proponho-me um desafio, o qual tentarei cumprir diariamente: - Fazer um resumo das surpresas e dos acontecimentos. Não como descrição de fatos. Mas, sim, como uma análise vivencial e comportamental, relacionada com o todo.
O todo me faz pensar sobre as atitudes do ser humano. Tão ambíguas, tão sem um ponto definido... que chegam às raias da agressão. Mas não uma agressão cujo alvo seja conhecido. Há, no ser humano, que sente-se agredido pelo mundo externo - em sua mais ampla visão - uma agressão dirigida, também, ao todo.
É o caso que vi num dos mais antigos Blogs que visito. Agressão pura e simples. Agressão aos visitantes, aos comentários, e aos próprios posts do autor.
A falta de cultura não é, exclusivamente, a causa de tantas anomalias do homem. O que faz com que um ser humano use de agressão é a percepção de que está sendo agredido... é o próprio mundo que o rodeia e que vemos, dia a dia, denegrir com a nossa auto-imagem. Em cada canto do nosso mundinho pequeno e insano, a tecnologia proporciona falsas liberdades, colocando o hedonismo como a melhor filosofia de vida e a que mais devemos seguir. E se este alvo não é atingido, vamos, então, a procura de onde descarregar nossas frustrações, percorrendo, através da própria tecnologia, caminhos que nos levem à completa realização hedonística momentânea... Ou seja: "Senti-me agredido porque, hoje, não tive nenhum prazer? Vou, então, à luta... Vou mostrar para o mundo que ele está a me incomodar, a me agredir"...
Se não existissem pessoas em um patamar superior, se não existissem pessoas que renegam a filosofia mundana e vulgar, muitos locais virariam campos de batalha, em reação multifacetada de personalidades doentias.
Mas... estou vendo que ainda temos um consolo e uma salvação. Existem, sim, poucas mas, sem dúvida nenhuma, cruciais reações de personalidades coerentes e cultas, que nos dão um certo alento e esperança de um futuro melhor. E se não "um futuro melhor", pelo menos, "um cantinho melhor"!

by Miriam, numa primeira etapa do desafio.

segunda-feira, novembro 06, 2006

O brilho das estrelas




Um dia, estava olhando as estrelas, como se estivesse com elas conversando quando, de repente, ouvi uma pergunta:


- Você sabia que estas estrelas não mais existem?
Admirado, respondi:
- Mas e seu brilho?
- O brilho destas estrelas é apenas a energia que delas continua a vibrar, pois já morreram há milhares de anos;.mas, tamanha distância têm de nós, que seu brilho, mesmo estando mortas, continua a nos atingir.
Continuei a admirá-las, pensando. Que força é esta que impulsiona, para nós,
tamanho amor e grandeza? Que, mesmo um ser estando já extinto, continua o melhor de si a espalhar? Que energia é esta que, agigantando-se perante a própria morte, continua iluminando o céu de nossas esperanças?
Que força é esta que continua se doando, trazendo-nos luz e beleza, comprovando, com sua própria entrega, que a morte não existe?
Emocionado, me perguntei:
- Então por que não imitamos as estrelas? Quando, mesmo nos sentindo mortos por dentro, cheios de aflições e desesperanças, mudos, calados, perante desilusões e injustiças, não continuamos a refletir o melhor que temos em nós, para outrem mais infeliz que nós mesmos?
Por que nós, perante um mundo que, na maioria das vezes, consideramos 'mau', abrigando em seu seio somente seres que sofrem, nada mais... por que não continuamos, a espalhar nosso brilho, deixando o mesmo refletir ao longe, onde nosso pensamento não possa alcançar?
Por que, mesmo extintos em nós o dom de crer na própria vida, não continuamos a doar nossa energia, nossa própria essência, a qual transformada em amor e grandeza possa continuar a iluminar o céu de nossos semelhantes?
Por que não apreendemos esta lição tão simples, estando sempre a dificultar o sentimento maior: O amor!
Por quê?
Se, imitando as estrelas, nosso brilho se perpetuaria, independente do "nós" e, alongando-se, atingiria universos distantes...
... Onde, com certeza, teríamos sempre alguém falando com as estrelas.

Fernando Dantas


Recebi esta mensagem deste amigo querido. Sem palavras para manifestar a minha admiração por tamanha profundidade, aqui a deixo publicada.
by Miriam, pensando e pensando até agora...!

sábado, novembro 04, 2006

Uma pequena passagem

Hoje, vim aqui para dizer alguma coisa. Coisa pouca, já que ando correndo muito, muito trabalho. Mas, esta mesma correria me realiza, me preenche. Cada dia me sinto melhor, a cada minuto só tenho a louvar a Deus pelas bençãos que ELE derramou, derrama e derramará em minha vida.
Ando afastada dos posts. Porque, quando tenho um tempinho, quero sair da frente do PC e ficar vagueando entre as notícias e cumprindo com as minhas tarefas caseiras.
Estou em débito com a Veneziana, porque ainda não vi os textos e as poesias para enviar. Estou em débito com muitas pessoas, que por aqui passam, pq n tenho retornado suas visitas. Embora, ontem, eu tenha viajado pelo mundo dos Blogs e tenha passado por alguns deles.
Peço, pois, desculpas pela ausência de posts. O último texto que fiz está postado no meu outro Blog - o Noites de Verão. Lá, sim, poucas pessoas passeiam. Que lástima!
Amigos e visitantes. Breve vou colocar toda a minha alegria em letras e frases, para que vocês possam partilhá-la comigo.
E despedindo-me, agora, peço a JESUS que derrame muitas graças sobre todos. Logo, logo, aqui estarei.
(até lembrei-me de outro logo... rsrsrsrs)

Uma imagem para alegrar os olhos:



(Foto de Antonio Marques - Portugal)

Recebam esta rosa, e a coloquem no coração
para embelezar as suas vidas. Com ela vão
as bençãos de Deus
e meus beijos ternos.

by Miriam, em explicação da ausência.