sexta-feira, janeiro 26, 2007

Um lindo post do Willian

Vou me aventurar a colocar aqui, antes da autorização do Willian, um post que é de sua autoria. Quando passar a chuva! . O Willian é um rapazinho que conheci hoje. Com muita delicadeza e paciência, cumpriu uma tarefa nada agradável em seu trabalho. E, enquanto eu esperava para vê-la cumprida, haja vista que era eu que pedia tal tarefa, em meio a conversas, falamos em Blogs. E lá passei. Foi uma surpresa. Uma capacidade imensa e um dom invejável para a escrita. O que me dá esperança na juventude. Embora tanto "tenham feito" para desvalorizar o estudo, nada apaga o dom que é nato. E a juventude brasileira luta para manter o seu lugar.
Parabéns, Wiliian. E digo-te, mais uma vez: Este post é magnífico.
Aqui deixo para os caros internautas se deleitarem... até porque complementa o post anterior, da minha querida amiga Léia.
Então vamos ao

"Quando passar a chuva" :

"O tempo vai melhorar.
O tempo sempre melhora...
Por entre as nuvens sempre surge, ainda que pequeno, um persistente raio solar...
Sempre há um sol por aparecer...
A chuva vai passar...
ela sempre passa... mais cedo ou mais tarde...
seja com vendavais ou trovoadas...
...seja calma, por fim... ela passa.
E...
quando ela se for...
levará esse temporal de mim.
As gotas de chuva forte que machucavam os ombros...
transformar-se-ão em orvalho que acariciará o rosto...
e... a chuva que molhava o corpo...
fertilizará a alma".

(Willian)


by Miriam, encantada com a profundidade da poesia...

terça-feira, janeiro 16, 2007

Na sala de espera.


Sempre gostei dos dias nublados. Porém nunca havia parado para pensar o porquê da sensação de bem-estar e tranqüilidade que eles me causavam, simplesmente me sentia feliz.
Entretanto, com o tempo passamos a buscar razões para todas as emoções e foi num momento deste que, me perdi em devaneio com um dia nebuloso. E percebi que, a diferença de um dia sem sol ou sem chuva, não é o que ele “é”, e sim o que ele “não é”. Raciocine comigo.

Um dia ensolarado nos chama para rua, para a atividade. O sol em si desencadeia um processo de ebulição da adrenalina e nos faz literalmente ferver. Se for verão, ele nos obriga a ir a praia, tomar banho de mar, beber caipira, tomar sorvete, ouvir música, dançar. Mesmo que lá no fundo, no âmago das nossas vontades, desejemos mesmo é nos estirar na rede e ler um bom livro. O sol vibra em sua energia e nos hipnotiza em seu poder. Uma loucura!

A chuva é a antítese do sol. Num dia de chuva toda a nossa energia é derramada gota a gota até se perder em forma de aguaceiro. A água que cai lá fora, nos torna impotentes e servos do seu poder de nos trancafiar em casa. Aquele plano de sair na balada, correr na praia, visitar os amigos, ir às compras, constantemente são adiados em nome da desanimadora chuva. Ela possui uma energia que amorfa, desanima, angustia, Uma tristeza!

Já o dia nublado não causa nem furor e nem apatia. A energia de que ele emana é de calmaria espiritual e consensual das nossas vontades. Tenho a sensação de estar de folga, e poder escolher entre lagartear na rede, bater perna nas lojas ou trabalhar feliz. O dia nublado acalma a euforia proporcionada pelo sol e transforma a apatia causada pela chuva. Vou denomina-lo “ponto neutro”. Uma tranqüilidade!

Trazendo a influência climática para a vida prática, podemos constatar que, vivemos ora em dias ensolarados, onde estamos alegres, cheios de energia, motivação, esperança, euforia; ora chuvosos, quando estamos tristes, desanimados, desesperados, deprimidos. Sensações como estas são constantes e precisamos aprender a lidar com elas. É aí que entram os dias nublados em nossas vidas. Quando precisamos apenas silenciar, ouvir nossa alma, conversar com o nosso coração, acalmar nossas angustias, encorajar nossos medos e desenterrar nossa coragem. Com tranqüilidade.

Certa vez ouvi esta frase: “os dias nublados são a sala de espera do mundo”. Achei interessante e acho que na vida, muitas vezes necessitamos de um bom tempo na sala de espera, para não fazermos exatamente nada, apenas sentarmos aguardarmos os acontecimentos, folhearmos as páginas vividas, que já são velhas, mas precisam ser relidas, reavaliadas, renovadas e quando menos esperamos novas páginas estarão sendo escritas, sem euforia ou depressão.

Aos dias de sol ou de chuva, peço licença e o meu direito aos dias nublados, para sentar na sala de espera e folhear todas as páginas, sem pressa.

Léia Batista

terça-feira, janeiro 02, 2007

Uma resposta para "Rouxinol de Bernardim"

Olá, Rouxinol. Estou triste porque não posso te responder na tua casinha. Mas, haja vista a falta de oportunidade, aqui coloco meu pensamento em relação ao teu último post.
Comentas sobre a morte de muitas pessoas, que estavam em um barco. Não sei bem o caso. Mas, o que reclamavas, era da ausência de JESUS.
Porque usas esta onipotência, ao te referires ao nosso Deus?
Viemos à este mundo para cumprirmos uma missão. O nosso tempo não nos pertence. Sabes tu até quando viverás? Poderás ter alguma noção de como impedir a tua partida deste mundo? Podes tu conhecer o tempo no qual a missão de um semelhante foi cumprida? Conheces a quantidade de fios de cabelos em tua cabeça? Sabes quantos deles caem por dia? Caso não tenhas mais cabelos, que é uma possibilidade, saberias dizer isto quando tinhas cabelos? Claro que não.
Não temos a Ciência capaz de nos mostrar o nosso tempo.. a nossa missão. Somente Deus sabe quando está acabado. Somente Deus sabe se a missão foi cumprida (ou não) e se está na hora de irmos embora.
Sabes tu do futuro? Poderias dizer o que acontecería com estas pessoas, caso elas estivessem vivas , ainda hoje? Será que a morte e a passagem não foi melhor do que alguma desgraça maior em suas vidas?
Caro Rouxinol! Tens uma voz magnífica. Cantas divinamente bem. Um canto famoso em todos os lugares. Já pensaste em agradecer teus dons ao Deus que nos criou e que de graça "tos" deu?
A tristeza pela morte, pelo fim, é real e existe. Porque todos caminhamos para ela. Mas não queiramos fazer o papel divino de julgamento do tempo de cada um. Cada um tem o seu. Eu tenho o meu tempo, tu tens o teu. Ninguém vive eternamente, a não ser Deus. Ele tudo sabe. Nós, não.
Vamos procurar aceitar a morte como um fato e buscar o entendimento do que vem depois. Deixemos de julgar ao Deus que permitiu, ou que permite... Que cada perda sirva de sinal para nossas vidas. Que cada perda nos leve à introspecção do que estamos fazendo com o nosso tempo. Porque é um caminho pelo qual todos passaremos. E isto não podemos negar.
Permita, caro Rouxinol, comentários em tua casinha. Poderemos cantar, juntos, outras canções, outros poemas... porque uma divergência de pensamentos não significa a plenitude de divergências. E estaremos, sempre, aprendendo... cada vez mais.
Um feliz 2007 para ti e para todos que por aqui passam.

by Miriam, em resposta à Rouxinol de Bernardim