quinta-feira, abril 23, 2009

Você está triste, hoje?

E quem disse que você precisa fazer uma festinha todos os dias? Você é dono do direito de se recolher em si de vez em quando. De bater um papo com a tristeza e perguntar a ela porque veio se hospedar em você nestes dias.

Deve ouvi-la com atenção. E quando ela lhe disser que você a convidou, pois bem sabe o quanto é indesejada,e, só vem se a chamarem. Acredite!
A tristeza não é muito íntima da mentira, pelo contrário, ela nunca usou disfarces, você é que teima em fantasiá-la muitas vezes, vestindo-a com a falsa alegria.

Curta o seu momento triste. Tome um chá de serenidade com biscoitos de sabedoria e converse - sem pressa – com a sua tristeza. Revele a ela porque a convidou, confesse cada detalhe que fez com que você lhe enviasse a passagem e escancarasse a porta para ela entrar.

Permita-se descobrir que ao conhecer a fundo a tristeza, ela já não parecerá tão feia e assustadora.
Não se surpreenda ao achá-la sábia. Não se espante ao considerá-la necessária - de tempo em tempo - para pôr a casa em ordem, depois dos vários dias em que a euforia habitou em você.

Após revelar-se à tristeza - mais do que ela a você – ficar triste já não lhe soará tão mal. Diminuirá o ímpeto de afogá-la em tratamentos. Desaparecerá a vontade de matá-la com remédios. Entristecer já não causará desespero. Passará a ser somente o desejo de não abrir as cortinas enquanto não quiser, com o direito que é seu.

O que não pode, de forma alguma, é deixá-la morar com você para sempre. Trate-a como uma boa visita que, quando menos se espera já está de partida, sem qualquer promessa de retorno. Embora, você saiba que ela voltará assim que receber o seu convite.

Você está triste hoje? Aproveite! É um direito seu. Prometo que não vou bater na sua porta ou espiar pela cortina.


Léia Batista
(recebido por e-mail, este belo texto da Léia)